quarta-feira, 27 de abril de 2016

Marcas, rostos, porquês

Às vezes penso nas pessoas que passam por nossas vidas. Sejam amigos, colegas, vizinhos, namorados, etc, etc... é incrível como um sem número de rostos e vozes nos atravessam o caminho.

Há quem fique, há quem vá. Quem vai e depois de muito tempo, volta. Há quem passou tão rapidamente que mal lembramos, há quem passou mais rápido do que gostaríamos, e quem demorou mais do que deveria. O fato é que há quem marque. Independente de termos compartilhado dias, meses ou anos, há sempre alguém que fica guardado na memória e no coração, mesmo que tenha ido há tempos. É sobre estes “quem” marcantes que hoje desejo lhes falar.

Fico imaginando o que estão pensando agora... por que foi tão cedo? Havia (há) tanto ainda a descobrir. Fica, vai ter bolo! E enquanto a gente come este bolo que provavelmente comprei a caminho de casa, pensando no porquê de os meus sempre saírem tortos,
podemos discutir sobre o que é melhor: caminhar no parque ou ler embaixo de uma árvore do parque? Como você consegue estar sempre com tanta energia e bom humor? Como podemos ter gostos tão diferentes para comida? Para onde vãos as meias que se perdem na máquina de lavar?
Mas o porquê que mais me interessa é: por que não deu tempo ao tempo? Por que tomastes como verdade a ilusão de sua mente, sem deixar-me mostrar a verdadeira eu? Existe um grande abismo entre o que eu digo e o que você ouve. E um ainda maior entre o que tento passar e o que você absorve.

Parece-me um grande desperdício, sabe, isso de pessoas que tanto têm em comum, de repente criarem barreiras para que o “comum” não mais exista.

Tudo o que resta hoje é uma grande e espesso “não sei”. Não sei o que houve, não sei como tudo começou, não sei se realmente começou. Não sei por que a graça se apagou e por que o prazer de estarmos em conjunto tornou-se indiferença. E esta indiferença, esta é mais uma de tuas ilusões. Na verdade, ela é dor. É dor, é dúvida, é decepção, é um sonho partido.

Ah, pessoas que marcam... por onde andam? Por que não estão mais aqui? E o mais importante: por que marcam?

terça-feira, 8 de março de 2016

Você nem imagina

Ser forte. Parecer forte. Mostrar a força para si mesma.
A quem estou tentando enganar?
Outros podem até acreditar
Por um tempo, eu acreditei
Mas sempre vem à tona
Deixo para lá
Isso não me abate
Sou de ferro, sou independente
Nada me abala
Nada me derruba
Sou fria.
Mas na verdade, estou em frangalhos
Estou sorrindo para você e para mim
Mas na verdade, estou chorando
Estou com saudade
Estou frustrada
Estou tentando entender
Estou tentando dar o meu melhor
Mas muitas vezes, o meu melhor não é suficiente

Ou simplesmente, não sou eu.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Solidão e etc

Sabe solidão? Aquele vazio misturado com tristeza que a gente sente bem lá no fundo do peito? Aquela sensação ruim que causa angústia e deixa a gente pra baixo, mesmo tendo pessoas que nos amam ao nosso redor? Pois é, esta é uma das coisas mais difíceis de explicar... e igualmente difícil de sentir.

Acho que assim como no coração cabe muita gente, ele também escolhe uma pessoa para ocupar um lugar e um sentimento específicos nele. E por mais que, assim como eu, você goste de ficar sozinho, ter seu espaço e sua individualidade, o ser humano foi feito para viver em conjunto, em contato com o outro. É a nossa natureza.

Assim, hoje posso dizer que estou, sim, sentindo-me solitária. E não sei nem como resolver isso, porque tenho pessoas que eu amo tanto ao meu redor, e que me amam de volta, que parece até “gula” sentir falta de algo mais. E pior ainda é não saber do que/quem se trata este algo mais.

Ou é isso ou é mais uma recaída de depressão. Mas a depressão, muitas vezes, não aparece quando estamos com alguma coisa nos incomodando? Seja pressão no trabalho, seja um problema que parece não ter solução ou um sentimento ruim que nos corrói? Então penso se as duas coisas não estão ligadas.

E quando o coração sofre, a mente fica desgastada e o corpo enfraquece. Os sentimentos negativos acabam transbordando para o corpo em forma de mal estar, dores, doenças.


Então a gente levanta a cabeça, se cuida, trabalha, dorme, come, limpa a casa, visita os amigos, assiste tevê, enfim, a gente vive. Vive e sobrevive com aquele espaço vazio, que pode ser preenchido ou não. E a solidão, juntamente com todos aqueles outros sentimentos que ela acarreta, fica lá, presente, por vezes adormecida de um jeito que acabamos até deixando de lado por um tempo. Mas, talvez por medo de ser totalmente esquecida, em algum momento ela volta, trazendo consigo tudo aquilo que eu já escrevi antes. E o que a gente pode fazer? Viver. É pra isso que estamos aqui... não é?

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Orgulho, valores e prazo de validade

Tenho orgulho da pessoa que me tornei. Por mais que eu me preocupe demais, queira sempre abraçar o mundo e cuidar de todo mundo, há coisas minhas de que gosto. Sou ansiosa, perfeccionista, faço questão de ter tudo sempre muito bem explicadinho e bem resolvido – há quem descreva isso como ser “cri-cri”, mas cada um é cada um-. Dá trabalho, mas acho que isso é o certo (ok, talvez exceto a parte de ser ansiosa, isso é muito ruim).

Apesar de tudo, sou pé no chão. Quando necessário, consigo equilibrar a razão e a emoção e ter atitudes acertadas, por mais que me pareçam dolorosas a princípio. Também sou equilibrada, segura de mim, forte. E foi difícil alcançar todas estas características que considero tão importantes. Mas às vezes, com uma coisinha de nada, tudo isso parece sumir.

Quem não conhece a nossa história, nossa trajetória, tudo o que passamos, jamais entenderá que um simples comentário pode trazer à tona uma tonelada de lembranças, emoções e traumas que, com muito custo, conseguimos manter escondidinhos e adormecidos nos lugares mais distantes do coração e da memória.

O que parece apenas um cubo de gelo é, na verdade, a ponta de um iceberg que
Fonte: http://stopabusecampaign.com/wp-content/uploads/2015/07/iceberg5.jpg
adoraríamos manter bem quietinho no fundo do oceano. Mas, em algum momento, algum desavisado esbarra ali e, sem saber da missa um terço, desencadeia tudo o que não somos.

Odeio perder meu equilíbrio, minha razão. Detesto falar, falar e não conseguir dizer o que estou pensando ou realmente sentindo, simplesmente porque toda a minha segurança evaporou naquele instante. E para reparar tudo isso, ah, que trabalheira!


Enfim, pensando também no meu post anterior, vou chegando à conclusão de que a maioria dos problemas é causada pela ignorância. Sabe, falta de conhecimento do outro e também falta de interesse em conhecer. Mas é assim que as coisas são hoje em dia, não? Celulares, aparelhos de televisão, carros e pessoas, tudo tem um curto prazo de vida útil na mão de um mesmo indivíduo. E quem não pensa assim? Este, assim como eu, já nasceu com o prazo de validade esgotado, para um mundo frio e vazio como o nosso.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Êta aninho azedo!

“Não é a chegada de 2016 que vai mudar a sua vida. É você quem deve mudar.” Quem não leu mensagens como esta em tudo quanto é rede social, que atire o primeiro smartphone.

Vamos direto ao ponto: a gente deve ter discernimento e sabedoria para enxergar as próprias falhas e procurar melhorar para que não se repitam? Sim. Ter força e paciência para resolver problemas? Sim, também. Mas e quando você tem isso tudo e as coisas simplesmente não funcionam? Aí, meu filho, na minha opinião, é o universo, destino, karma ou como quer que você chame, que não está deixando a coisa fluir.

Convivendo e conversando com as mais diversas pessoas, cheguei à conclusão de que
Retirado de http://memexicano.com/
não foi apenas o meu 2015 que foi cagado complicado. Todo mundo teve seus pontos altos e baixos, claro, mas os baixos, ah, os baixos... estes conseguiram ocupar boa parte dos dias de muitos de nós, reles mortais.

Falando resumidamente do meu ano que passou: muito stress, muita preocupação, muito tempo e energia dedicados a assuntos que, infelizmente, não puderam ser resolvidos com finais felizes, decisões difíceis foram tomadas, por mais doloridas que fossem, esperanças foram quebradas, diálogos improváveis foram travados, decepções aconteceram e o cansaço tomou conta de mim. E para ninguém dizer que só vejo o lado ruim das coisas: amizades foram retomadas, outras se tornaram ainda mais fortes, medos começaram a se dissipar e comecei a dar mais valor a minha própria companhia.

Mas, com tudo isso, o que quero dizer é: a gente pode se desdobrar, mas nem sempre tudo vai dar certo como a gente gostaria e, infelizmente, há períodos, ou “marés de azar”, onde simplesmente não adianta tentar, X coisa não vai acontecer/se revolver e ponto. E não estou sendo pessimista, isso é apenas a realidade que venho experimentando junto a tantas outras pessoas. A diferença entre o pessimista e eu é que, apesar de toda essa zica, eu continuo tentando. Sei que, com isso, muitas vezes posso passar a imagem de inocente, teimosa (isso eu sou mesmo), avoada ou até sem noção. Mas o importante é deitar no meu travesseiro à noite e saber que eu fiz.

Então, para você que teve um ano passado cheio de baixos, não desanime: tamo junto!





quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Calma, minha gente, é a marca do fogão!

Relaxa, minha gente. Relaxa!

Vamos parar de ver significado onde não tem. Vamos parar de falar da boca para fora. Apenas vamos parar.Vamos aprender a ficar quietos quando não temos certeza do que estamos falando.

Vamos parar de levar brincadeiras a sério. De achar que os outros são bobos. De achar qualquer coisa sobre qualquer coisa / pessoa que você mal conhece... porque provavelmente, meu jovem padawan, você está achando errado, afinal, como tirar conclusões sobre algo que não viu além do superficial? Vai achar bosta, sim! E na maioria das vezes, esta bosta foi você mesmo quem criou, erroneamente, simplesmente por não seguir o que diz no primeiro parágrafo: relaxa! Aliás, um exemplo bem tosco, porém perfeito para isso é aquele velho refrão que você, como eu, infelizmente deve se lembrar:

"Dako é bom
Dako é bom
Calma, minha gente, é a marca do fogão!'

Entendeu? Nem sabe do que se trata e já tá causando!

Sim, eu sou ansiosa, preocupada e mais mil outras coisas que parecem totalmente opostas ao que estou escrevendo agora... mas não, você está errado mais uma vez. Apesar disso tudo, tenho paciência, sei que não se conhece alguém em uma única conversa – quiçá uma vida inteira -, que não é possível saber de tudo, que não é porque uma coisa deu errado, entre tantas boas, que todo o conjunto não presta, que vale a pena, sim, tentar, conhecer, dar chances e oportunidades (a você e aos outros), que muitas vezes uma simples frase pode ser, sim, uma simples frase e só, sem entrelinhas.

Digo tudo isso desta maneira direta e sem preocupações com a estrutura do texto porque, é algo tão básico, que penso, vejo e vivo há tanto tempo, em diversas áreas da vida, que acredito que muita gente se identifique e esteja doida pra falar a mesma coisa.

Vamos ficar de boas, vamos aproveitar o que é legal, vamos ser sinceros... tudo isso é possível sem ligar o foda-se. É só uma questão de ver que nem tudo tem um lado ruim que supera o bom e que de tudo pode sair algo bom.

As palavras de ordem são: relaxa e vem cá cochilar, deixa o resto pra depois.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Conselhos e cavalos brancos

O conselho que a gente mais ouve na vida, com o perdão do termo, é “liga o foda-se”. Ah, como eu gostaria de conseguir seguir este ensinamento à risca, mas só Deus sabe como é difícil.

Gente como eu se preocupa, gosta de tudo bem resolvido, quer garantir que todo mundo fique bem, quer soluções e justiça pra ontem. E tudo isso se intensifica quando junta-se à ansiedade.

A sensação de que podemos fazer mais - pelos outros, pelo mundo, por tudo - faz com que nos cobremos em escalas muito maiores do que pessoas normais. Este sentimento de ter que estar bem com o mundo todo, de pegar todos no colo e libertá-los desta vida cruel é constante. E igualmente desgastante.

Direcionar toda esta energia para nossos próprios problemas é uma empreitada praticamente impossível. Não sabemos prestar mais atenção em nossos próprios problemas – próprios meeesmooo, porque temos o péssimo hábito de achar que tudo é problema nosso, então temos que subir num cavalo branco e salvar o máximo de pessoas possível (e impossível), tornando a preocupação alheia a nossa própria.

E parando e pensando friamente, consigo enxergar isso. Mas na prática sinto que me preocupando mais comigo, sou uma pessoa egoísta, coisa que eu desprezo. Mas não é egoísmo, e no fundo, eu sei disso. Mas é tão no fundo mesmo, que acabo me esquecendo.

Então, qual seria a solução óbvia para toda esta gastura? Relaxar, não se preocupar, compreender de uma vez por todas que nem tudo se resolve na hora (na verdade, quase nada). Não preocupar-se em dar satisfações, em garantir que as pessoas nunca tenham uma imagem errada de você, que compreendam o que você realmente diz. Ora, se não me faço entender, será mesmo que a única culpada sou eu? Cada um tem seus princípios, pré-conceitos, uma mente mais aberta ou fechada... impossível que uma mesma mensagem seja interpretada da mesmíssima maneira por todos que a recebam.

Mas enfim, viajei, viajei, pra chegar a este ponto: meu desejo para este novo ano, de todo o coração, é que eu aprenda a relaxar. Aprenda a me doar mais pra mim e menos para outros que não precisam/merecem tanto da minha energia. Que eu tenha calma e serenidade para compreender que tudo tem seu tempo certo e que pouquíssimas coisas, na prática, dependem só da gente (afinal, estamos cercados por pessoas, regras, procedimentos, sentimentos). Que não é possível que eu dê o que não tenho de verdade nem para mim. E que eu não me preocupe tanto. Resumindo, quero aprender a usar o “foda-se”.


PS: sim, repeti a palavra problema várias vezes, sinônimos não cabem aqui.